segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de Outubro - Um Dia de Saci

       
          O dia 31 de outubro foi especial para Rita Silveira, 38 anos. Ela havia saído de casa para comprar um presente para o filho. “Ele tinha visto nas Americanas a propaganda do haloween e ficou chorando porque queria um brinquedo. Eu não tinha dinheiro, então, hoje, vim comprar”. Só que, antes de chegar à loja, Rita viu um enorme Saci que fumegava seu cachimbinho em pleno Felipe Schmidt, principal Rua de Florianópolis.

         Ela parou, conversou com os trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina – que promoveram o “Dia do Saci” e seus amigos – e desistiu da compra. Voltaria para casa com um broche do Saci, o panfleto, e contaria ao filho Júlio a história do molequinho brasileiro que – ela havia esquecido – já encantara sua própria infância.
 
         O dia nacional do Saci Pererê e seus amigos é uma ideia que anda vicejando por todo o Brasil. Nasceu para se contrapor à invasão cultural das bruxas do haloween, festejo típico dos Estados Unidos em que as crianças saem fantasiadas de demônios, bruxas e outros bichos a exigir doces, ameaçando com travessuras.
 
         Essa comemoração começou a pipocar nas escolas de inglês, o que é muito interessante. Afinal, quem aprende uma língua precisa também aprender aspectos da cultura. Mas, com o passar do tempo, as escolinhas infantis, as escolas públicas de ensino e até o comércio começaram também a festejar o haloween. É, assim mesmo, em inglês.
 
         Pensando em recuperar os mitos da terra brasilis, várias entidades começaram a trabalhar com a ideia de criar um dia do Saci Pererê e os trabalhadores da UFSC decidiram abraçar a causa. Como a luta sindical é uma batalha diária por vida digna, riquezas repartidas e soberania, nada mais lógico do que começar uma campanha de valorização da cultura nacional.
 
         “Nada temos contra os mitos de outras terras, até porque os mitos fazem parte da cultura universal. O que queremos com o Dia do Saci Pererê é apenas trazer à memória das crianças nossas histórias também. Por que não privilegiar os mitos nacionais? A dominação cultural é sempre a porta de entrada para outras dominações, ainda mais ferozes e predadoras”, lembra Raquel Moysés, uma das coordenadoras da UFSC.
 
         Assim, ajudado pela Jornal 24 Horas online, que tem sede no Rio de Janeiro, Brasil, o jornal levou às ruas do Rio a história do Saci. Para quem não conhece, bem antes de os portugueses invadirem as terras de Pindorama já existia o Saci. Ele nasceu índio, moleque das matas, guardião da floresta, a voejar pelos espaços infinitos do mundo Tupi. Depois, vieram os brancos, a ocupação, e a memória do ser encantado foi se apagando na medida em que os próprios povos originários foram sendo dizimados.

Liberdade
   
         Quando milhares de negros, caçados na África e trazidos à força como escravos chegaram ao já colonizado Brasil, houve uma redescoberta. Da memória dos índios, os negros escravos recuperaram o moleque libertário, conhecedor dos caminhos, brincalhão e irreverente.

         Aquele mito originário era como um sopro de alegria na vida sofrida de quem se arrastava com o peso das correntes da escravidão. Então, o moleque índio ficou preto, perdeu uma perna e ganhou um barrete vermelho, símbolo máximo da liberdade. Ele era tudo o que o escravo queria ser: LIVRE! Desde então, essa figura adorável faz parte do imaginário das gentes nascidas no Brasil. O Saci Pererê é a própria rebeldia, a alegria, a liberdade.
  
         Com o processo de dominação cultural imposto pelos Estados Unidos – uma nova escravidão - foi entrando devagar na vida das crianças brasileiras a história do haloween, a hora da bruxa e da abóbora, lanterna de Jack, o homem que fez acordo com o diabo. A história é bonita, mas não é nossa.
Tem raízes irlandesas e virou dia de frenéticas compras no país do Tio Sam, e agora também no Brasil, além de outros países.

         Na verdade, a lógica é essa. Ficar cada vez mais escravo do consumo e da cultura alheia. Jeito antigo de colonizar as mentes e dominar. Isso é tão sério que até mesmo nos condomínios da classe média, em Florianópolis, as crianças já se organizam em grandes grupos, a bater de porta em porta, usando o mesmo jargão: guloseimas ou travessuras.
 
         Essa experiência viveu uma jornalista no último dia 31 de outubro. “É bem triste ver que a gurizada já se rendeu a esta fórmula estrangeira. E quando a gente fala no Saci eles ficam assim, meio sem saber o que fazer. Creio que se os professores falassem mais sobre nossa cultura nas escolas, as coisas seriam diferentes.”
 
        E foi para fazer esse trabalho de valorização da cultura nacional que os trabalhadores da UFSC foram para a rua levar o Saci para saracotear na rua principal. Em greve desde agosto, na defesa da universidade pública, eles puderam falar de seus sonhos de um país soberano na política, na economia, na arte e na cultura.
 
         Para isso, trouxeram ainda, além do Saci, a figura de Pedro Tainha, um manezinho típico da ilha, para contar causos do Saci, e também o Boi-de-Mamão, folguedo infantil que faz parte do folclore e da cultura local. “As coisas da gente estão cada vez mais se apagando, saindo da memória. As crianças não brincam mais o boi, não conhecem nossos mitos. Isso aqui foi uma ideia linda”, dizia uma dona de casa que saiu para ir ao supermercado e ficou por ali a tarde toda.
 
         Assim, a tarde do dia 31 de outubro em Florianópolis acabou sendo de festa para a criançada. Mesmo aquelas que saíram para comprar brinquedos – já dentro da lógica do capital – tiveram a oportunidade de ver que há outras coisas pululando no mundo da vida. Seres encantados que saem das páginas da nossa própria história. Este ano foram o Saci e os personagens do Boi-de-mamão.
   
         Para o próximo ano, já está se pensando em trazer outros amigos do Saci como o Caipora, o Curupira, o Boitatá, a Cuca e o Negrinho do Pastoreio. Juntos, eles vão reencantar a vida. O Jornal 24 Horas online também deve se engajar na luta pela instauração de um dia nacional do Saci, briga que já está sendo travado na Câmara Federal através de um projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB). Faça o mesmo. Dê espaço para suas raízes! Viva o Saci Pererê.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Viradão Carioca vai ter mais de 300 atrações e começa nesta sexta-feira



Lulu Santos
Escolas de Samba

Depois de adiado por uma semana, em decorrência das fortes chuvas que assolaram o estado do Rio, o Viradão Carioca começa nesta sexta-feira (23). O evento terá palcos fixos em quatro favelas, além de estruturas itinerantes. Entre as mais de 300 atrações estão shows com os cantores Lulu Santos, Marcelo D2, Preta Gil e Cidade Negra. Ao todo, serão 54 horas de atividades, como teatro, concertos, exposições, cinema e circo. Todas gratuitas.


A lista de shows tem ainda Dona Ivone Lara, Jorge Ben Jor, Martinho da Vila, Mart'nália, Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Sérgio Loroza, Jards Macalé, Jorge Mautner, Falamansa, Casuarina, Elba Ramalho e Orquestra do Bola Preta. Na quadra da escola de samba Vila Rica, na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, Zona Sul, terá circuito cultural com DJs e MCs.

Dez palcos ao ar livre

Este ano, o Viradão terá dez palcos ao ar livre, sendo os dois maiores montados na Praça XV, no Centro, e em Rio das Pedras, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Haverá ainda quatro palcos médios na Cinelândia, no Centro, no Leme, na Zona Sul, na Praça do Ringue, em Santa Cruz, e no Piscinão de Ramos, no subúrbio.

A festa vai ter estrutura fixa também no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Centro, e nas favelas Tavares Bastos, em Laranjeiras, na Zona Sul, e da Maré, em Bonsucesso, no subúrbio. Os bairros da Penha, Vila Isabel e Méier vão contar com o Palco Sobre Rodas, que fará um circuito itinerante do evento. Na Barra da Tijuca, na Zona Oeste evento vai ter ainda um lual.

Solidariedade


"O Viradão já entrou para o calendário da prefeitura. Queremos levar toda a diversidade artística para as ruas do Rio. Ano passado abrimos o show em Bangu com música clássica e levamos o Dicró para o Leblon. Esse é o espírito", disse a secretária, que conseguiu reforço nos efetivos da CET-Rio, Rioluz, Polícia Militar, Guarda Municipal, Secretaria de Saúde e na Fundação Parques e Jardins. De acordo com ela, o gasto previsto da prefeitura com o evento é de cerca de R$ 3,1 milhões.

A festa vai ter também solidariedade, com vários pontos de arrecadação de donativos para os desabrigados da chuva espalhados pelo evento. Segundo a organização, os itens de maior necessidades são: leite em pó, fraldas descartáveis, material de limpeza , produtos de higiene pessoal, roupas e agasalhos. Isto não inviabiliza o recebimento de outros donativos.

Veja onde ficarão os palcos

PALCO PRAÇA XV
Localização: o palco será posicionado em frente à sede administrativa do Tribunal de Justiça, no Centro.
PALCO RIO DAS PEDRAS
Localização: o palco será posicionado na Avenida Engenheiro Sousa Filho, lote 10, s/nº, em Jacarepaguá.
PALCO CINELÂNDIA
Localização: o palco será posicionado na Praça Marechal Floriano, em frente ao Teatro Municipal, na Cinelândia, no Centro do Rio.
PALCO LEME
Localização: o palco será posicionado na Praça Almirante Julio de Noronha, próximo ao Forte Duque de Caxias, no Leme.
PALCO SANTA CRUZ
Localização: o palco será posicionado na Praça do Ringue, que fica na Rua Felipe Cardoso s/nº, em Santa Cruz.
PALCO PISCINÃO DE RAMOS
Localização: o palco será posicionado no Piscinão de Ramos, ao lado do Ciep 14 de Julho, na Avenid. Guanabara.
PALCO BARRA DA TIJUCA
Localização: o palco será posicionado na Avenida Sernambetiba (na praia), na altura do quiosque do Pepê, Barra da Tijuca.
PALCO PENHA (PALCO SOBRE RODAS)
Localização: o palco será posicionado na Praça do IAPI da Penha, entre a Rua Sta. Engracia e Rua Santo Emiliane.
PALCO VILA ISABEL (PALCO SOBRE RODAS)
Localização: o palco será posicionado na Rua Duque de Caxias com Bouvelard Vinte e Oito de Setembro, em frente ao Petisco da Vila.
PALCO MÉIER (PALCO SOBRE RODAS)
Localização: o palco será posicionado na Praça Agripino Grieco, S/N°, esquina com Rua Silvia Rabelo, no Méier.
QUINTA DA BOA VISTA (SEM PALCO)
Localização: dentro da Quinta da Boa Vista. Será utilizada a alameda de entrada que dá acesso ao Jardim Zoológico, com entrada pela Rua General Herculano Gomes.
PALCO MANGUEIRA (RIO DE CULTURA)
Localização: será posicionado na Rua Visconde de Niterói em frente à Quadra da Mangueira.
PALCO BARRA DE GUARATIBA (RIO DE CULTURA)
Localização: será posicionado na Estrada Roberto Burle Max em frente à ponte antiga do
Quartel.
PALCO SENADOR CAMARÁ (RIO DE CULTURA)
Localização: será posicionado na Rua Coronel Tamarindo ao lado direito da estação de trem de Senador Camará.
PALCO MANGUARIBA (RIO DE CULTURA)
Localização: será posicionado na Avenida Canal 2, esquina com Rua Dezessete, em Paciência, ao final tem uma bifurcação com uma praça.
LONA CULTURAL GILBERTO GIL
Localização: Av. Mal. Fontenele 5.000, em Realengo.
LONA CULTURAL JOÃO BOSCO
Localização: Av. São Felix 601, em Vista Alegre.
LONA CULTURAL ELZA OSBORNE
Localização: Estrada Rio do A,220, em Campo Grande.
LONA CULTURAL JACOB DO BANDOLIM
Localização: Praça Geraldo Simonard s/n°, Pechincha - Jacarepaguá.
LONA CULTURAL RENATO RUSSO
Localização: Parque Manuel Bandeira s/nº, Aterro do Cocotá, Ilha do Governador.
LONA CULTURAL HERMETO PASCOAL
Localização: Praça Primeiro de Maio s/n°, em Bangu.
LONA CULTURAL SANDRA DE SÁ
Localização: Rua 12 - Conjunto Guandú 1 s/n°, Quadra 219 - Santa Cruz.

Brasil no topo do surfe pela 1ª vez e Mineirinho vence no Rio


O campeão Mineirinho chora ao sair da água
Adriano de Souza, o Mineirinho, venceu o australiano Taj Burrow e se tornou o primeiro brasileiro a liderar o ranking mundial. Nesta sexta-feira o Brasil alcançou pela primeira vez o topo do surfe mundial.

Adriano bateu o australiano Taj Burrow, terceiro melhor do mundo, na final da etapa do Rio do Mundial da modalidade. Além de ficar com o título, Mineirinho assumiu a liderança do ranking Mundial do surfe. É a primeira vez na história que um brasileiro lidera o ranking.

Ainda emocionado com a conquista o surfista foi cauteloso ao comentar a liderança: "Estou feliz com tudo isso. Sei que ainda é muito cedo pra pensar em título mundial, tem muitos surfistas bons no circuito, estamos só no início da temporada ainda.
Mas, estou feliz porque desde 13 de outubro de 2009 que não consigo vencer uma etapa, aliás, essa tinha sido minha única vitória, então ganhar aqui e liderar o ranking é realmente demais".
Apenas dois brasileiros ainda estavam na etapa final da competição: Raoni Monteiro e Adriano Souza. Raoni enfrentou o australiano Bede Durbidge e não conseguiu passar para as quartas, ficando 0.76 atrás de Bede na pontuação final.
Já Mineirinho conseguiu desbancar Owen Wright nas quartas. Na semifinal, Adriano vingou Raoni e eliminou Durbidge da competição com seis décimos de diferença na pontuação final. A grande final foi contra o terceiro melhor surfista do mundo, Taj Burrow, que vinha muito bem durante toda a etapa e tinha eliminado grandes surfistas como Bobby Martinez e Cory Lopez.
O australiano começou melhor na bateria e logo na primeira onda conseguiu uma nota 7. Adriano só passou à frente na terceira onda, com uma nota 8. Assim, manteve uma série de notas boas e acabou ficando com o título na etapa brasileira do Mundial de surfe.
Com este resultado, Mineirinho fica em primeiro no ranking mundial de surfe até a próxima etapa, que será realizada de 14 a 24 de julho em Jeffrey's Bay, na África do Sul.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Somos Brasileiros e vivemos na Holanda

Arquivo pessoal
A brasileira Liliane Abade e o filho Alan, de 4 anos, que vivem
 na cidade holandesa de Utrecht; só o pai torce para o time de laranja

A Holanda tem recebido um número cada vez maior de brasileiros - legais e ilegais. Nos últimos anos, o número de imigrantes brasileiros vivendo legalmente no país cresceu muito, indo de 8913 em 2000 para 14823 em 2008 – um aumento de 66%. E estima-se que o número de ilegais tenha crescido em ordem ainda maior.

As brasileiras Pamela Withaar, do Paraná, Luciana Tapiero, de Minas Gerais, e Isabela Dutra, do Rio de Janeiro, assistem ao jogo do Brasil contra a seleção da Costa do Marfim, em um bar na cidade holandesa de Utrecht.

A Holanda tem recebido um número cada vez maior de brasileiros - legais e ilegais. Nos últimos anos, o número de imigrantes brasileiros vivendo legalmente no país cresceu muito, indo de 8913 em 2000 para 14823 em 2008 – um aumento de 66%. E estima-se que o número de ilegais tenha crescido em ordem ainda maior.

Em pesquisas do Gabinete Central de Estatística (CBS) para o Serviço de Imigração e Naturalização da Holanda, os brasileiros também aparecem entre as dez nacionalidades que mais pedem o chamado MVV – Machtiging tot voorlopig verblijf, a autorização para permanência temporária na Holanda - , ao lado de países como China, Índia, Turquia, Somália e Iraque.

Desde 2002, as leis de imigração vêm se tornando mais e mais rígidas na Holanda, o que tem dificultado  entrada legal no país e, consequentemente, aumentado o número de imigrantes ilegais.

Um grande número de jovens na faixa de 20 a 28 anos escolhe o caminho aparentemente mais fácil de permanecer no país ilegalmente. Segundo estimativas do Consulado Geral do Brasil em Roterdã, o número de brasileiros ilegais na Holanda gira em torno de 2250.

Deportações

A estimativa oficial é tímida e, na verdade, ninguém tem como saber ao certo o número de ilegais. Mas tudo indica que está aumentando, e muito.
Em 2007, aproximadamente 80 brasileiros ilegais foram deportados da Holanda. Em 2008, foram mais de 140 – 75% a mais, segundo dados do Ministério da Justiça holandês.

Embora não haja uma relação direta entre o número de deportados e o número de ilegais, tudo leva a crer que o percentual de brasileiros ilegais na Holanda esteja crescendo.

Brasileiros que vivem no país há alguns anos também percebem nas ruas e no transporte público um significante aumento do número de compatriotas circulando, principalmente, em Amsterdã e Roterdã.

Dificuldades
Viver como imigrante ilegal implica em inúmeras dificuldades, mas os que optam por esta condição têm, em geral, objetivos bem traçados.

Como as opções de trabalho como ilegal também são limitadas, a grande maioria dos brasileiros ilegais vivendo na Holanda trabalha na construção civil ou  endo faxina. Para esta reportagem, conversamos com três jovens imigrantes ilegais que identificaremos pelas iniciais J.. M. e P.

J., de 25 anos, veio de Contagem, Minas Gerais para a Holanda há dois anos e três meses e pretende ficar até o final de 2010, quando quer voltar para o Brasil e cursar a faculdade de Direito. J. veio a convite de uma amiga que já vivia na Holanda para trabalhar na construção civil, mas hoje trabalha como faxineiro.

Natural de Campo Mourão, no Paraná, M. está na Holanda há quase dois anos. Veio porque uma prima já morava aqui, mas ao contrário da maioria dos ilegais, não veio para trabalhar e juntar dinheiro para um projeto de vida no Brasil, e sim pela experiência de viver na Holanda, onde trabalha como faxineira. Ela conta que tem planos de ficar no país, apesar das dificuldades.

P., de 27 anos, saiu de Anápolis, Goiás, há cinco anos. Veio para a Europa para um projeto universitário e acabou ficando como ilegal. Trabalhou inicialmente na construção civil e hoje é faxineiro, mas também começou a fazer trabalhos na área de decoração de eventos, com a qual trabalhava antes no Brasil.

Ele pretende ficar na Holanda apenas o tempo suficiente para conquistar independência financeira e poder voltar para o Brasil para terminar a universidade.

Nesta conversa com o Jornal 24 Horas Online, eles falam sobre as maiores dificuldades que enfrentam como imigrantes ilegais, sobre as limitações que esta condição traz e também sobre seus planos para o futuro.
  

domingo, 17 de abril de 2011

Virada Cultural 2011

Rita Lee

Rita Lee contempla a Virada e atrai 

público de todas as gerações


A  edição da Virada Cultural acontece nos dias 16 e 17 de abril, com início às 18 horas do sábado. São 24 horas ininterruptas de programação, com mais de mil atrações gratuitas espalhadas por diversos palcos da cidade, numa realização da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo em parceria com o SESC e a Secretaria de Estado da Cultura, e adesão das mais importantes instituições culturais da cidade.

A programação musical continua sendo o carro-chefe do evento, contemplando diferentes ritmos, estilos, artistas nacionais e internacionais. Um vasto programa de artes cênicas e visuais se soma a uma concorrida agenda de paradas e desfiles e maratonas.

Uma grande parte do centro velho é fechado para o trânsito de veículos (exceto local), e boa parte das linhas de ônibus serão circularizadas.

O Metrô funciona ininterruptamente durante as 24 horas.
Barracas de pastel, yakissoba, tapioca, caldo de cana, salada de frutas e churros fazem parte da festa em praças de alimentação e em todo o perímetro do evento no centro. Mil banheiros químicos serão posicionados, assim como abundantes lixeiras.

A realização da Virada Cultural somente se faz possível mediante a colaboração dos órgãos públicos envolvidos, Secretarias de Serviços e de Coordenação das Subprefeituras, Polícia Militar, Guarda e Polícia Civil, entre outros.

Esta 7ª edição da Virada Cultural traz em seu programa o resultado de parcerias com as representações de Holanda, México, Espanha, Argentina e Itália.

Sobem ao palco artistas brasileiros já consagrados, como Rita Lee, Paulinho da Viola, Erasmo Carlos, Dominguinhos, Eumir Deodatoe também novos talentos, como Duani, Cibelle, Thaís Gullin e Rumpilezz.

Entre os internacionais, São Paulo receberá Armando Manzanero,Skatalites, Fred Wesley and the New JB’s, Steel Pulse e Edgar Winter, entre inúmeros outros.

O Sepultura se apresenta com a Orquestra Experimental de Repertório, sob regência de seu titular, Maestro Jamil Maluf. A São Paulo Companhia de Dança dançará ao som da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). A OCAM da USP comemora 70 anos de Frank Zappa.

A ópera Pagliacci será encenada em praça pública. Uma produção da casa, com a Orquestra Sinfónica Municipal e o Coral Lírico, as cias Visualfarm, Fratelli e Pia Fraus, técnicos e criadores do corpo municipal.

A música eletrônica também estará bem representada em pistas espalhadas entre o Largo São Francisco, Praça Princesa Isabel, Praça da Sé e Memória   e uma radiola maranhense ocupará a Praça Princesa Isabel.  

Um palco dedicado à stand-up comedy e um ringue de luta livre com lutadores mexicanos e brasileiros são exemplos de atrações sem precedentes nas ruas da cidade.

Durante as 24 horas da Virada Cultural haverá apresentação da banda Beatles 4Ever, formada por músicos brasileiros. O quarteto, formado em 1976, tocará absolutamente todos os discos da banda inglesa, na íntegra, em sequência.

Escravidão & Abolição: Lideranças prestigiam Hélvio Gomes Cordeiro em lançamento de livro na ABL

Foi um lançamento em grande estilo. Um clina de resgate histórico tomou conta da noite de sexta-feira, na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Centro do Rio, durante o lançamento do livro: “Escravidão & Abolição”, de Hélvio Gomes. O evento foi organizado pelo MONER – Movimento Negro Republicano. Enquanto aguardavam a vez na fila para cumprimentar o au-tor, ministro, autoridades públicas, diplomacia, corpo diplomático e lideran-ças do movimento negro elogiavam a iniciativa.

Nayt Jr – Presidente do MONER – Estar na ABL é muito bom. É um marco, pois segundo o diretor cultural desta casa é a primeira vez que se lança um livro de um escritor do interior do estado negro, ainda mais sobre a temática negra. E mais gostoso ainda é saber que o MONER tem o quinhão de satisfação no sucesso desse evento.” De-clarou.

O município de Campos teve a maior concetração de negros do Brasil. Che-gando a ter uma média de 10 negros para cada branco e essa história esta-va sendo perdidos. Com o livro, o autor e a Palmares visam rememorar al-guns personagens, que foram importantes na luta de resistência dos ne-gros, como “Carukango”, (primeiro livro do Helvio) quilombo que existiu em Macaé, tão importante quanto o Quilombo dos Palmares e agora “Escra-vidão & bolição.”

Jorge Luiz Pereira dos Santos – Presidente da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, comemora o grande momento. Ele também representou a prefeita Rosinha Garotinho – “Desde 2009, trabalhamos no sentido de resgatar uma parte de nossa história que foi perdida,” Disse.

O que aconteceu com o negro em Campos a partir do momento que acabou a escravidão? Esta história ninguém conta. Morreu. É uma lacuna. A Palma-res trabalha no sentido de divulgar o que aconteceu. A saga do negro é de luta e de resistência. O que se espera é que, aos poucos os fatos sejam transformando em livros para que chegue ao conhecimento de todos.

Eloi Ferreira de Araújo – Presidente da Fundação Cultural Palmares – “Estamos todos irmanados e ombreados nesta causa, para que a juventude conheça toda a nossa história. Trazemos a baila os 400 anos da violência da escravidão que nos impuzeram. Que neste encontro do passado com o pre-sente possamos construir um futuro melhor. É o que o momento nos inspira a pensar.” Afirmou.

O livro, que ilumina a questão literária negra no Brasil, fala de Campços dos Goytacazes, aborda a escravidão, os movimentos abolicionistas nas regiões Norte e Nordeste do Estado do Rio e da Abolição da Escravatura no Brasil. Relata também sobre a igualdade racial, questionando, inclusive, o sistema de cotas para negros nas universidades públicas, além da desigualdade em relação ao mercado de trabalho.


Benedito Sérgio de Almeida Alves – Representante da Regional da Palmares no Rio de Janeiro -  “Eu vejo este lançamento com muita alegria e muita es-perança. O tema escravidão e abolição tráz de volta uma discussão que o Brasil foge há mais de 100 anos. A meu ver o assunto é a causa principal dos maiores problemas que nós vivemos.” Prosseguiu.

Na entrada da ABL, para recepcionar os convidados, um grupo de modelos das comunidades do Complexo do Alemão, Engenho da Rainha e Morro do Juramento, Rio. O livro, patrocinado pela Prefeitura de Campos, editado pela Fundação Municipal Zumbi dos Palmares e abraçado pelo MONER é resultado de dois anos de pesquisas, desenvolvidas pelo Autor, o Professor e Pesquisador Hélvio Cordeiro.

Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos - Autor da Lei CAÒ – 1985. LEI Nº 7.437, de 20 de dezembro de 1985, que inclui, entre as contravenções penais, a prática de atos resultantes de preconceito de raça, de cor, de sexo ou de estado civil, dando nova redação à Lei nº 1.390, de 3 de julho de 1951 - Lei Afonso Arinos – “Todo lançamento dessa natureza que revive a história do negro no Brasil é muito importante. Ele nos enriquece e faz com que nós pensemos e repensemos profundamente quem fez este país? Fomos nós!” Falou.

O trabalho do livro foi baseado em entrevistas nos distritos de Rio Preto, Imbé e de Pedra Lisa, com grandes fazendeiros da região, que faliram de-pois que libertaram seus escravos. A pesquisa foi feita na Casa de Cultura José Henrique de Carlos Sá, em São João da Barra.

Helvécio Gomes Cordeiro – “O lançamento é um excelente passo para fazer a evolução de um trabalho de pesquisa e para ampliar os conhecimentos sobre como se deu a escravidão em nossa região”. Enfatizou.

O dedobramento se deu no Arquivo Público Municipal de Campos; na Biblio-teca Municipal Nilo Peçanha, da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, de Campos dos Goytacazes; no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro, e na Biblioteca José do Patrocínio, da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares.

João Calros Araújo – Movimento de Ação e Reflexão Martin Luther King. “Este evento é importantíssimo, pois vem trazer contribuição para a luta de nossa raça. Estão de parabéns o autor e todas as instituições, que apoiando o lançamento de mais uma obra prima do nosso povo. Temos jovens, adul-tos e até idosos que escrevem, que tem seus livros e suas poesias enga-vetadas. É necessário que nossa história seja conhecida por todos, para, quem sabe, amenizarmos a desigualdade racial, o preconceito e o racismo.” Desabafou.

A ABL, fundada por um negro, Machado de Assis, nascido no Morro da Providência. E surpreendentemente ele é o único em toda a história da aca-demia. A casa tem o destaque histórico de ser o bastião literário Brasileiro. A instituição é a guardiã dos saberes que envolvem a língua portuguesa falada no Brasil e nos países ex-colônias de Portugal. O primeiro romance brasileiro editado também é de outro negro, também carioca, Teixeira e Souza, nascido em Cabo Frio, que faria 200 anos em 2012.

Celso de Souza Silva – Instituto Nacional de Colinização e Reforma Agrária – INCRA – “Acho o lançamento do livro do Hélvio de grande valia, porque a historia dos negros em Campos é tudo e foi esquecida. Parabenizo à todos nós por este avanço, principalmente a comunidade negra do norte do es-tado.” Explicou.

Foi lançado na mesma noite e local o livro: “Culinária Afro”. As receitas foram resultado de um curso, com duração de três meses, na cidade de Campos, que reuniu 80 alunos divididos em dez turmas, nos turnos da manhã, tarde e noite.

Antonio Gonçalves – Presidente da ESBL Canários das Laranjeiras – Está sendo muito gratificante para nós, do movimento negro, a consagração des-se evento, de primeira categoria. A confraternização de nosso povo está acontecendo.Quero abraçar o Hélvio por seu trabalho maravilhoso, e a Maria Moura, que estão desenvolvendo atravez de seus livros.” Revelou.

A idéia de um curso de culinária afro surgiu da Fundação Palmares, pela necesidade de valorização e do resgate de uma das mais importantes for-mas de manifestação cultural, que foi um legado trazido pelos negros afri-canos para o Brasil, “ comida”. O curso foi um sucesso e contou com aulas teóricas e práticas, ensinadas por Maria Moura e Ciça.

Maria Moura – Autora do livro – “Tem a continuidade das receitas que falo de sociologia. Ao mesmo tempo em que falo sobre a comida, eu falo sobre a cultura afro brasileira, em sua tradição oral, de nosso povo quando aqui chegou. No final do livro eu fiz um depoimento aos alunos, procurando fazer uma avaliação dos dois lados. O Brasil que nós queremos é aonde as mulheres tenham muitas atividades. Entre elas essa a de mulher de ganho e a mulher de venda que é nossa tradição.” Finalizou.

A culinária desse livro é diferente. Ela é oriunda das senzalas e das cozinhas das mulheres da roça e dos canaviais. Não é um tipo de receita como a que se vê hoje em dia. A comida era feita por mulheres do interior, como nossas avós e nossas tias. Essas receitas têm o sentido cultural, pois na mesma hora em que fala da culinária da Bahia, por exemplo, da Nigéria (África).

Ônibus ligeirão azul já circula em Curitiba

Ligeirão azul roda com biocombustível à base de soja (Foto: Prefeitura de Curitiba / Divulgação)
                      Ligeirão azul roda com biocombustível à base de
                       soja (Foto: Prefeitura de Curitiba / Divulgação
Dez ônibus do modelo ligeirão azul já circulam na linha Boqueirão e Pinheirinho/ Praça Carlos Gomes, em Curitiba. Segundo a prefeitura da ca-pital, os veículos vão substituir outros dez ônibus que faziam a mesma li-nha. Alguns veículos já estão circulando esta semana, mas trafegam sem passageiros porque estão em fase de treinamento com os motoristas.

O ligeirão azul é considerado o maior ônibus do mundo e tem 28 metros de comprimento, 2,5 metros de largura e capacidade para transportar 250 passageiros. O veículo tem tecnologia que permite a abertura dos semá-foros e poderá oferecer viagens mais rápidas.

Os veículos rodam com bio-combustível à base de soja. A assessoria de imprensa da Urbanização de Curitiba S/A (Urbs) estima que até 2014, 10% da frota da capital seja abastecida com este tipo de combustível.

Ligeirão Boqueirão

Liga o Terminal Boqueirão à Estação Praça Carlos Gomes, no Centro da cidade, fazendo além do ponto de chegada e saída, mais três paradas: nos terminais Carmo e Hauer e na Estação UTFPR. O tempo de viagem é de 20 minutos, com intervalo, entre os ônibus de cinco minutos.

Linha Pinheirinho/Carlos Gomes

Faz a ligação entre o Terminal Pinheirinho e a Estação Lourenço Pinto, no Centro, com cinco paradas na Linha Verde e duas na Marechal Floriano Peixoto. O tempo de viagem é de 25 minutos, com intervalo de quatro minutos.