quinta-feira, 24 de novembro de 2011

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Racismo e sexismo na mídia: uma questão ainda em pauta

Rio de Janeiro, 29 de novembro a 1º de dezembro de 2011
Auditório do BNDES - Av. República do Chile, 330

Realização: Instituto Patrícia Galvão, Secretaria de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Promoção de Políticas da Igualdade Racial, Fundação Ford e ONU Mulheres. Apoio: BNDES.

Assista à transmissão ao vivo por internet: acompanhe as exposições e participe dos debates acessando o link emhttp://www.agenciapatriciagalvao.org.br
Ao longo do evento serão postadas notícias via Twitter e Facebook.


PROGRAMAÇÃO

29 de novembro - 3ª feira

16h - Coquetel

17h - Mesa de abertura: Racismo e sexismo na mídia: uma questão ainda em pauta - Jacira Vieira de Melo (Instituto Patrícia Galvão); Luiza Bairros (ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial);
Tatau Godinho (subsecretária de Planejamento e Gestão da Secretaria de Políticas para as Mulheres); Nilcéa Freire (representante da Fundação Ford no Brasil); Maya L. Harris (vice-presidente da Fundação Ford para o Programa de Democracia, Direitos e Justiça); Luciano Coutinho (presidente do BNDES)
     ONU Mulheres.

18h - Lançamento do Baobá – Fundo para Equidade Racial (Athayde Motta, diretor executivo);

18h30 - Apresentação dos resultados do Curso de Formação para Jornalistas sobre Gênero e Raça/Etnia (Valdice Gomes, coordenadora geral da Conajira/Fenaj).

19h - Homenagem à jornalista Lena Farias

30 de novembro - 4ª feira

9h - Mesa 1: Há uma cultura de negação do racismo e do sexismo na imprensa?
Luiza Bairros (ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial); Iriny Lopes (ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres)
Dennis de Oliveira (jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo). Debatedora: Conceição Freitas (jornalista e cronista do Correio Braziliense, ganhadora do mídia impressa da 1ª edição do Prêmio Abdias Nascimento)
 Coordenadora: Isabel Clavelin (assessora de comunicação da ONU Mulheres);

12h - Lançamento da publicação Imprensa e Agenda de Direitos das Mulheres: uma análise das tendências da cobertura jornalística
Realização: Secretaria de Políticas para as Mulheres, ANDI - Comunicação e Direitos e Instituto Patrícia Galvão;


14h30 - Mesa 2: Regulação democrática, direito à igualdade e respeito à diversidade de gênero e raça -  Bia Barbosa (jornalista, integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social); Sérgio Suiama (procurador de Justiça do Ministério Público Federal); Alexander Patez Galvão (coordenador do Núcleo de Assuntos Regulatórios na Ancine); Debatedora: Juliana Cézar Nunes (jornalista, Rádioagência Nacional/EBC); Coordenadora: Angélica Basthi (jornalista e escritora, membro da Cojira/RJ).

1º de dezembro - 5ª feira

9h - Mesa 3: Raça e gênero na publicidade: onde estão os limites éticos? Edson Lopes Cardoso (jornalista, assessor especial da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial); Maria Luiza Heilborn (antropóloga social, coordenadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos – CLAM); Renato Meirelles (publicitário, diretor do Data Popular);
Debatedora: Nádia Rebouças (publicitária, diretora da Rebouças & Associados)
Coordenadora: Paula Andrade (jornalista, integrante da Rede Mulher e Mídia).


14h - Mesa 4: Racismo: a imprensa nega, a TV prega? Maria Ceiça de Paula (atriz); Hilton Cobra (ator, diretor da Companhia dos Comuns); Maria Carmen Barbosa (autora de telenovelas e séries para TV)
Rosane Borges (jornalista, professora da Universidade Estadual de Londrina)
Debatedora: Ana Veloso (jornalista, professora da Unicap e representante do sociedade civil no Conselho Curador da EBC); Coordenadora: Alice Mitika Koshiyama (professora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo).
Mais informações: mulheremidia8@patriciagalvao.org.br -
(11) 2594.7399.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

INSTITUÍDO DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Foto: Reprodução
Lei sancionada em 11/11/2011. Em todo o país a data é comemorada com marchas e outras atividades.

A presidenta da República, Dilma Rousseff, sancionou ontem (10) a Lei 12.519, que institui o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorada, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares. A resolução oficializa uma iniciativa bem-sucedida dos movimentos sociais negros, iniciada em meados dos anos mil novecentos e setenta.

Hoje, incorporado ao calendário das escolas e de muitas outras instituições públicas e privadas, o 20 de Novembro destaca-se como um evento cívico vibrante e de grande participação popular.

“As justas homenagens que prestamos a Zumbi e seus companheiros e companheiras exprimem o reconhecimento da nação às lutas por liberdade e pela afirmação da dignidade humana de africanos e seus descendentes que remontam ao período colonial”, declara a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros.

O Dia Nacional da Consciência Negra já é celebrado em 20 de Novembro e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Apesar do ponto alto da celebração coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, a cada ano as atividades alusivas à data são expandidas ao longo do mês, ampliando os espaços dedicados à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade.

Um número cada vez mais significativo de entidades da sociedade civil, principalmente o movimento negro, tem se mobilizado em todo país, em torno de atividades relativas à participação da pessoa negra na sociedade em diferentes áreas: trabalho, educação, segurança, saúde, entre outros temas.

Neste Ano Internacional dos Afro descendentes – instituído por Resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Nacional da Consciência Negra ganha caráter internacional. No Brasil, o ápice desta celebração será o AfroXXI – Encontro Ibero-americano do Ano Internacional dos Afrodecendentes, que acontece em Salvador, de 16 a 19 de novembro. O evento reunirá representações de países sul-americanos, caribenhos, africanos e ibero-americanos, em torno de debates acerca da situação atual desses povos nas regiões participantes.

A comemoração do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra surgiu na segunda metade dos anos 1970, no contexto das lutas dos movimentos sociais contra o racismo. O dia homenageia Zumbi, símbolo da resistência negra no Brasil, morto em uma emboscada, no ano de 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas. Desde 1997, Zumbi faz parte do Livro dos Herois da Pátria, no Panteão da Pátria e da Liberdade.

Cinzas de Abdias Nascimento são depositadas na Serra da Barriga

Homenagem a Abdias Nascimento reuniu diversas lideranças do movimento negro
Cinzas de ativista negro são depositadas na Serra da Barriga
Cerimônia reuniu lideranças e militantes do movimento negro no Brasil

O ativista negro Abdias Nascimento, ex-senador, ex-deputado federal, fundador do Movimento Negro Unificado, defensor da cultura e da igualdade das populações, falecido no mês de maio último, foi homenageado neste domingo, 13, na Serra da Barriga, em União dos Palmares, com a presença de vários militantes e ativistas da causa negra.

Compareceram ao ato lideranças da Nigéria, do Brasil e do Estado, que foram acompanhar o cortejo do enterro das cinzas do ativista, atendendo a um pedido de Abdias. Familiares, os três filhos, a ex-esposa Léa Garcia, atriz da Rede Globo e a última esposa Elisa compareceram ao local e realizaram um ato político que durou várias horas, com discursos, homenagens, recitação de um poema de Abdias pelo ator Chico de Assis, cantorias e falas do secretário de Cultura, Osvaldo Viégas, que foi representando o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).

O presidente da Fundação Palmares, Eloi Ferreira de Araújo, foi uma das primeiras autoridades a chegar ao local. Ele foi acompanhado do ex-deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão), mas por motivo de agenda teve que sair da cerimônia antes da colocação das cinzas de Abdias, num local íngreme da Serra da Barriga, previamente escolhido por militantes da causa negra, próximo à lagoa sagrada, onde também foi plantada uma muda de baobá, árvore sagrada para os militantes.

Além da muda do baobá onde foram colocadas as cinzas de Abdias, também foi plantada uma muda da gameleira branca, outra árvore sagrada para os negros. Eloi Ferreira disse que Abdias foi um dos maiores líderes pela luta democrática do País e observou que aquela cerimônia na Serra da Barriga foi atendendo a seu desejo.  “A nação tem que se libertar dos efeitos da escravidão e o movimento que aqui vai acontecer será inesquecível para todos”, disse ele.

O presidente da Fundação Palmares revelou que a idéia da instituição é criar um ambiente na Serra da Barriga que envolva artesanato e cultura. “Estamos celebrando a vida e a obra de Abdias e queremos valorizar a cultura de raiz africana, a língua, a gastronomia e a vestimenta. Os indígenas e negros que aqui viveram constituíram uma matriz de identidade nacional. A luta dos escravos e brancos pela liberdade contra a repressão, observou.

“Reconhecemos a importância do Quilombo dos Palmares, não apenas pelos negros e brancos que eram oprimidos na época. Queremos fazer aqui um espaço permanente de atividades, estamos nessa briga. Há um interesse dos estrangeiros, é um espaço diferenciado que merece ser visitado e há o compromisso do governador em viabilizar o acesso.

Agenda

A representante do escritório da Fundação Palmares em Alagoas, Genisete de Lucena Sarmento, que tomou posse recentemente, disse que no mês da consciência negra o mundo se volta para a Serra da Barriga. “A partir de 2012 vai ser diferente. Assumimos o compromisso de iniciar alguma atividade já no dia 6 de fevereiro e durante o ano todo daremos mais atenção à Serra, aos nossos antepassados”, ressaltou Genisete.

A representante alagoana do escritório da Fundação Palmares disse ainda que há uma parceria entre a Prefeitura de União dos Palmares e o governo federal, por intermédio da Fundação Palmares e o governo do Estado.

Ela explicou que o DER, na pessoa do seu diretor Iran Menezes, se comprometeu a sentar com a Fundação e a prefeitura de União dos Palmares, para que conversar sobre a manutenção da estrada de acesso à Serra da Barriga e propôs que essa manutenção seja feita de três em três meses. “Vamos lutar para que o local tenha acessibilidade e visibilidade, funcionando todos os dias”, observou.

Participaram da homenagem para Abdias Nascimento, além dos ativistas negros, o grupo Ilê Aye da Bahia estava na Serra da Barriga com o toque inconfundível de seus tambores, a ministra da Igualdade Racial, Luíza Bairros, a secretária da Mulher, Kátia Born, o secretário de Cultura do Estado, Osvaldo Viégas, o secretário de Cultura do município, Elson Davi (representando o prefeito Areski Freitas), entre outras autoridades e lideranças.

 A Iyalorixá Mãe Neide Oyá D’Oxum, do Grupo União Espírita Santa Bárbara (Guesb), assumiu o restaurante do local e preparou o almoço que foi servido aos visitantes e participantes do ato em homenagem a Abdias Nascimento.

Rota dos Baobás

O ativista negro Antônio Carlos Santos Silva, o TC, disse que pretende implantar A Rota dos Baobás em Alagoas. Ele disse que a proposta nasceu em Campinas e objetiva fazer o georeferenciamento dos quilombos no Brasil.

“O projeto visa integrar as ações de articulação da Rede Mocambos, que integra aproximadamente 80 comunidades, em 15 estados brasileiros, em sua maioria comunidades quilombolas, urbanas e rurais e também entidades culturais e de terreiros”.

Segundo ele, a Rede Mocambos também vem fortalecendo a integração entre muitos pontos de cultura e ações do Programa Cultura Viva, “ações de inclusão digital entre vários ministérios e interação com outras redes de comunicação social nas comunidades quilombolas”, explica.

Segundo TC, o baobá é um elemento simbólico, “que nos remete à nossa ancestralidade e tradições. O objetivo de Antônio Carlos é plantar 480 baobás, indicando os 480 anos que marcam a chegada dos primeiros negros no quilombo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Conferência Municipal de Política de Promoção da Igualdade Racial Agita Petrópolis

Com o tema: Igualdade, Petrópolis realizou neste fim de semana a COMPIR – Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial. O evento que é o Foro Municipal de deliberação das diretrizes da Política Municipal de Promoção da Igualdade Racial traçou as diretrizes da política municipal. Estiveram presentes representantes de órgãos públicos, entidades de classe, instituições de ensino, organizações patronais, conselhos, associações e representantes de entidades e de organizações da sociedade civil. Compondo a mesa Dr. Jesus Nascimento, Advogado (E), Jorge Lourenço Luz, Presidente da Comissão Organizadora da Conferência (C) e Adenilson Honorato, Assessor do Gabinete do Prefeito  de Petrópolis, Mustrangi.
“Nosso município sempre ficou marcada sobre a questão do racismo e, especificamente pela exclusão dos negros. Mas que uma simples herança de nosso passado, essa problemática racial toca o nosso dia a dia de diferentes formas. O espaço do negro é limitado. Ainda temos mitos de nós em subemprego e fora dos bancos escolares”, Falou Jorge Lourenço Luz, presidente da Comissão Organizadora da conferência.

“Com a conferência queremos mudar tudo isso para termos oportunidade de igualdade em todos os aspectos. Quaisquer outras políticas que não sejam dirigidas prioritariamente ao segmento negro, jamais alcançarão a isonomia na sociedade brasileira. Só aumentará claro, a desigualdade, o fosso entre brancos e negro-pardos.”, Complementou Jorge Lourenço Luz.
O Dr. Jesus Nascimento, Advogado e palestrante falou sobre “A Lei Áurea, O que mudou na parte jurídica até hoje”. Ele fez um passeio histórico que foi de 1798 (A Revolta na Bahia), passou por 1871 (A Lei do Ventre Livre), seguiu para 1888 (Assinatura da Lei Áurea) e chegou aos dias de hoje.

Segundo Dr. Jesus, “O negro é o único segmento populacional que ainda não foi pago pela construção do país chamado Brasil. Não fosse o trabalho do negro, continuaríamos ser a Terra dos Papagaios, a Pindorama, talvez, uma Bolívia maior, ou coisa parecida”, revelou.

A tão falada Dívida Social, também não foi esquecida pelo palestrante. Segundo o Advogado “ela é devida unicamente aos negros”. “Foram eles que durante 300 anos construíram as bases econômicas do Brasil, em condições brutais de escravatura, a custo da completa exclusão da sociedade, impedidos de se educarem minimamente”, falou.

O advogado falou também das cotas de negros nas universidades, sobre as quais muito se fala nos dias de hoje como apenas um detalhe. Embora seja justa e necessária, vai ao encontro de uma minoria que conseguiu superar o gargalo no ensino fundamental e médio, podendo assim se candidatar à vagas nas universidades. “Mas a massa da população negra continua excluída”, Encerrou.

O que é tipificação de crime? Em seu discurso o Dr. Jesus lembrou que Tipificar significar tornar crime uma conduta. Para isso é necessário descrever com precisão a conduta e atribuir uma pena. Por exemplo, se um indivíduo causa, intencionalmente, a morte de outra pessoa, para que haja responsabilização criminal é preciso verificar se há uma descrição dessa conduta em um tipo penal na lei. Por exemplo: “Matar alguém. Pena: reclusão de seis a vinte anos”. Sendo assim, o ato de matar alguém é crime de homicídio.

Apesar de vigorar a 20 anos, a Lei 7.716/1989, ignorada, conhecida como Lei Caó, que classifica o racismo como crime inafiançável, punível com prisão de até cinco anos e multa, é pouco aplicada. Na maioria dos casos é classificada como injúria, que dá prisão de seis meses. A maior parte dos casos de discriminação racial é tipificada pelo artigo 140 do Código Penal, como injúria, que prevê punição mais branda: de um a seis meses de prisão e multa.

São poucos os casos enquadrados pela Lei Caó. Muitos policiais, promotores e juízes consideram que a pena para crime de racismo é mais alta do que o delito e que suas repercussões podem ser excessivas para quem cometeu. Então, muitas vezes, se entende por tipificar como delito de injúria. Segundo Dr. Jesus "Há um grau de dificuldade em tipificar o crime de racismo pelas autoridades policiais, por parte de alguns integrantes do Ministério Público e pela magistratura”.
 
Para ele, o preconceito racial é uma questão cultural. "O Brasil, na verdade, é um país racista e não está preparado para ver o negro em uma situação boa. Seja para andar em carro bom ou ter um cargo de destaque. O Brasil não assimilou que a negra luta pela sua condição."

Jesus Nascimento, aponta a falta de qualificação dos envolvidos nos processos investigativos e judiciais como principal fator para baixa utilização da lei. "O que ocorre é que o agente, o funcionário de segurança, quando faz o registro da ocorrência, ele acaba recorrendo ao ato de injúria, quando na verdade a qualificação como racismo tem uma penalidade mais dura.

A conferência contou com a apresentação do Grupo “Cordão de Ouro” e “Baianas do Acarajé”, do mestre Ganso, palestras, rodas de conversa, rodas de memória, troca de saberes, fazeres e manifestações culturais Petrópolis

Como denunciar
Quem for vítima de discriminação racial, de acordo com os especialistas consultados pelo 24h, deve procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência.

Em seguida, pode procurar um advogado ou defensor público para dar andamento em um processo judicial.

No caso de uma discriminação genérica contra a raça não atingir diretamente uma pessoa, o caminho é procurar o Ministério Público do estado. Se ocorrer no ambiente de trabalho, o Ministério Público do Trabalho.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de Outubro - Um Dia de Saci

       
          O dia 31 de outubro foi especial para Rita Silveira, 38 anos. Ela havia saído de casa para comprar um presente para o filho. “Ele tinha visto nas Americanas a propaganda do haloween e ficou chorando porque queria um brinquedo. Eu não tinha dinheiro, então, hoje, vim comprar”. Só que, antes de chegar à loja, Rita viu um enorme Saci que fumegava seu cachimbinho em pleno Felipe Schmidt, principal Rua de Florianópolis.

         Ela parou, conversou com os trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina – que promoveram o “Dia do Saci” e seus amigos – e desistiu da compra. Voltaria para casa com um broche do Saci, o panfleto, e contaria ao filho Júlio a história do molequinho brasileiro que – ela havia esquecido – já encantara sua própria infância.
 
         O dia nacional do Saci Pererê e seus amigos é uma ideia que anda vicejando por todo o Brasil. Nasceu para se contrapor à invasão cultural das bruxas do haloween, festejo típico dos Estados Unidos em que as crianças saem fantasiadas de demônios, bruxas e outros bichos a exigir doces, ameaçando com travessuras.
 
         Essa comemoração começou a pipocar nas escolas de inglês, o que é muito interessante. Afinal, quem aprende uma língua precisa também aprender aspectos da cultura. Mas, com o passar do tempo, as escolinhas infantis, as escolas públicas de ensino e até o comércio começaram também a festejar o haloween. É, assim mesmo, em inglês.
 
         Pensando em recuperar os mitos da terra brasilis, várias entidades começaram a trabalhar com a ideia de criar um dia do Saci Pererê e os trabalhadores da UFSC decidiram abraçar a causa. Como a luta sindical é uma batalha diária por vida digna, riquezas repartidas e soberania, nada mais lógico do que começar uma campanha de valorização da cultura nacional.
 
         “Nada temos contra os mitos de outras terras, até porque os mitos fazem parte da cultura universal. O que queremos com o Dia do Saci Pererê é apenas trazer à memória das crianças nossas histórias também. Por que não privilegiar os mitos nacionais? A dominação cultural é sempre a porta de entrada para outras dominações, ainda mais ferozes e predadoras”, lembra Raquel Moysés, uma das coordenadoras da UFSC.
 
         Assim, ajudado pela Jornal 24 Horas online, que tem sede no Rio de Janeiro, Brasil, o jornal levou às ruas do Rio a história do Saci. Para quem não conhece, bem antes de os portugueses invadirem as terras de Pindorama já existia o Saci. Ele nasceu índio, moleque das matas, guardião da floresta, a voejar pelos espaços infinitos do mundo Tupi. Depois, vieram os brancos, a ocupação, e a memória do ser encantado foi se apagando na medida em que os próprios povos originários foram sendo dizimados.

Liberdade
   
         Quando milhares de negros, caçados na África e trazidos à força como escravos chegaram ao já colonizado Brasil, houve uma redescoberta. Da memória dos índios, os negros escravos recuperaram o moleque libertário, conhecedor dos caminhos, brincalhão e irreverente.

         Aquele mito originário era como um sopro de alegria na vida sofrida de quem se arrastava com o peso das correntes da escravidão. Então, o moleque índio ficou preto, perdeu uma perna e ganhou um barrete vermelho, símbolo máximo da liberdade. Ele era tudo o que o escravo queria ser: LIVRE! Desde então, essa figura adorável faz parte do imaginário das gentes nascidas no Brasil. O Saci Pererê é a própria rebeldia, a alegria, a liberdade.
  
         Com o processo de dominação cultural imposto pelos Estados Unidos – uma nova escravidão - foi entrando devagar na vida das crianças brasileiras a história do haloween, a hora da bruxa e da abóbora, lanterna de Jack, o homem que fez acordo com o diabo. A história é bonita, mas não é nossa.
Tem raízes irlandesas e virou dia de frenéticas compras no país do Tio Sam, e agora também no Brasil, além de outros países.

         Na verdade, a lógica é essa. Ficar cada vez mais escravo do consumo e da cultura alheia. Jeito antigo de colonizar as mentes e dominar. Isso é tão sério que até mesmo nos condomínios da classe média, em Florianópolis, as crianças já se organizam em grandes grupos, a bater de porta em porta, usando o mesmo jargão: guloseimas ou travessuras.
 
         Essa experiência viveu uma jornalista no último dia 31 de outubro. “É bem triste ver que a gurizada já se rendeu a esta fórmula estrangeira. E quando a gente fala no Saci eles ficam assim, meio sem saber o que fazer. Creio que se os professores falassem mais sobre nossa cultura nas escolas, as coisas seriam diferentes.”
 
        E foi para fazer esse trabalho de valorização da cultura nacional que os trabalhadores da UFSC foram para a rua levar o Saci para saracotear na rua principal. Em greve desde agosto, na defesa da universidade pública, eles puderam falar de seus sonhos de um país soberano na política, na economia, na arte e na cultura.
 
         Para isso, trouxeram ainda, além do Saci, a figura de Pedro Tainha, um manezinho típico da ilha, para contar causos do Saci, e também o Boi-de-Mamão, folguedo infantil que faz parte do folclore e da cultura local. “As coisas da gente estão cada vez mais se apagando, saindo da memória. As crianças não brincam mais o boi, não conhecem nossos mitos. Isso aqui foi uma ideia linda”, dizia uma dona de casa que saiu para ir ao supermercado e ficou por ali a tarde toda.
 
         Assim, a tarde do dia 31 de outubro em Florianópolis acabou sendo de festa para a criançada. Mesmo aquelas que saíram para comprar brinquedos – já dentro da lógica do capital – tiveram a oportunidade de ver que há outras coisas pululando no mundo da vida. Seres encantados que saem das páginas da nossa própria história. Este ano foram o Saci e os personagens do Boi-de-mamão.
   
         Para o próximo ano, já está se pensando em trazer outros amigos do Saci como o Caipora, o Curupira, o Boitatá, a Cuca e o Negrinho do Pastoreio. Juntos, eles vão reencantar a vida. O Jornal 24 Horas online também deve se engajar na luta pela instauração de um dia nacional do Saci, briga que já está sendo travado na Câmara Federal através de um projeto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB). Faça o mesmo. Dê espaço para suas raízes! Viva o Saci Pererê.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Viradão Carioca vai ter mais de 300 atrações e começa nesta sexta-feira



Lulu Santos
Escolas de Samba

Depois de adiado por uma semana, em decorrência das fortes chuvas que assolaram o estado do Rio, o Viradão Carioca começa nesta sexta-feira (23). O evento terá palcos fixos em quatro favelas, além de estruturas itinerantes. Entre as mais de 300 atrações estão shows com os cantores Lulu Santos, Marcelo D2, Preta Gil e Cidade Negra. Ao todo, serão 54 horas de atividades, como teatro, concertos, exposições, cinema e circo. Todas gratuitas.


A lista de shows tem ainda Dona Ivone Lara, Jorge Ben Jor, Martinho da Vila, Mart'nália, Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Sérgio Loroza, Jards Macalé, Jorge Mautner, Falamansa, Casuarina, Elba Ramalho e Orquestra do Bola Preta. Na quadra da escola de samba Vila Rica, na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, Zona Sul, terá circuito cultural com DJs e MCs.

Dez palcos ao ar livre

Este ano, o Viradão terá dez palcos ao ar livre, sendo os dois maiores montados na Praça XV, no Centro, e em Rio das Pedras, em Jacarepaguá, na Zona Oeste. Haverá ainda quatro palcos médios na Cinelândia, no Centro, no Leme, na Zona Sul, na Praça do Ringue, em Santa Cruz, e no Piscinão de Ramos, no subúrbio.

A festa vai ter estrutura fixa também no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Centro, e nas favelas Tavares Bastos, em Laranjeiras, na Zona Sul, e da Maré, em Bonsucesso, no subúrbio. Os bairros da Penha, Vila Isabel e Méier vão contar com o Palco Sobre Rodas, que fará um circuito itinerante do evento. Na Barra da Tijuca, na Zona Oeste evento vai ter ainda um lual.

Solidariedade


"O Viradão já entrou para o calendário da prefeitura. Queremos levar toda a diversidade artística para as ruas do Rio. Ano passado abrimos o show em Bangu com música clássica e levamos o Dicró para o Leblon. Esse é o espírito", disse a secretária, que conseguiu reforço nos efetivos da CET-Rio, Rioluz, Polícia Militar, Guarda Municipal, Secretaria de Saúde e na Fundação Parques e Jardins. De acordo com ela, o gasto previsto da prefeitura com o evento é de cerca de R$ 3,1 milhões.

A festa vai ter também solidariedade, com vários pontos de arrecadação de donativos para os desabrigados da chuva espalhados pelo evento. Segundo a organização, os itens de maior necessidades são: leite em pó, fraldas descartáveis, material de limpeza , produtos de higiene pessoal, roupas e agasalhos. Isto não inviabiliza o recebimento de outros donativos.

Veja onde ficarão os palcos

PALCO PRAÇA XV
Localização: o palco será posicionado em frente à sede administrativa do Tribunal de Justiça, no Centro.
PALCO RIO DAS PEDRAS
Localização: o palco será posicionado na Avenida Engenheiro Sousa Filho, lote 10, s/nº, em Jacarepaguá.
PALCO CINELÂNDIA
Localização: o palco será posicionado na Praça Marechal Floriano, em frente ao Teatro Municipal, na Cinelândia, no Centro do Rio.
PALCO LEME
Localização: o palco será posicionado na Praça Almirante Julio de Noronha, próximo ao Forte Duque de Caxias, no Leme.
PALCO SANTA CRUZ
Localização: o palco será posicionado na Praça do Ringue, que fica na Rua Felipe Cardoso s/nº, em Santa Cruz.
PALCO PISCINÃO DE RAMOS
Localização: o palco será posicionado no Piscinão de Ramos, ao lado do Ciep 14 de Julho, na Avenid. Guanabara.
PALCO BARRA DA TIJUCA
Localização: o palco será posicionado na Avenida Sernambetiba (na praia), na altura do quiosque do Pepê, Barra da Tijuca.
PALCO PENHA (PALCO SOBRE RODAS)
Localização: o palco será posicionado na Praça do IAPI da Penha, entre a Rua Sta. Engracia e Rua Santo Emiliane.
PALCO VILA ISABEL (PALCO SOBRE RODAS)
Localização: o palco será posicionado na Rua Duque de Caxias com Bouvelard Vinte e Oito de Setembro, em frente ao Petisco da Vila.
PALCO MÉIER (PALCO SOBRE RODAS)
Localização: o palco será posicionado na Praça Agripino Grieco, S/N°, esquina com Rua Silvia Rabelo, no Méier.
QUINTA DA BOA VISTA (SEM PALCO)
Localização: dentro da Quinta da Boa Vista. Será utilizada a alameda de entrada que dá acesso ao Jardim Zoológico, com entrada pela Rua General Herculano Gomes.
PALCO MANGUEIRA (RIO DE CULTURA)
Localização: será posicionado na Rua Visconde de Niterói em frente à Quadra da Mangueira.
PALCO BARRA DE GUARATIBA (RIO DE CULTURA)
Localização: será posicionado na Estrada Roberto Burle Max em frente à ponte antiga do
Quartel.
PALCO SENADOR CAMARÁ (RIO DE CULTURA)
Localização: será posicionado na Rua Coronel Tamarindo ao lado direito da estação de trem de Senador Camará.
PALCO MANGUARIBA (RIO DE CULTURA)
Localização: será posicionado na Avenida Canal 2, esquina com Rua Dezessete, em Paciência, ao final tem uma bifurcação com uma praça.
LONA CULTURAL GILBERTO GIL
Localização: Av. Mal. Fontenele 5.000, em Realengo.
LONA CULTURAL JOÃO BOSCO
Localização: Av. São Felix 601, em Vista Alegre.
LONA CULTURAL ELZA OSBORNE
Localização: Estrada Rio do A,220, em Campo Grande.
LONA CULTURAL JACOB DO BANDOLIM
Localização: Praça Geraldo Simonard s/n°, Pechincha - Jacarepaguá.
LONA CULTURAL RENATO RUSSO
Localização: Parque Manuel Bandeira s/nº, Aterro do Cocotá, Ilha do Governador.
LONA CULTURAL HERMETO PASCOAL
Localização: Praça Primeiro de Maio s/n°, em Bangu.
LONA CULTURAL SANDRA DE SÁ
Localização: Rua 12 - Conjunto Guandú 1 s/n°, Quadra 219 - Santa Cruz.

Brasil no topo do surfe pela 1ª vez e Mineirinho vence no Rio


O campeão Mineirinho chora ao sair da água
Adriano de Souza, o Mineirinho, venceu o australiano Taj Burrow e se tornou o primeiro brasileiro a liderar o ranking mundial. Nesta sexta-feira o Brasil alcançou pela primeira vez o topo do surfe mundial.

Adriano bateu o australiano Taj Burrow, terceiro melhor do mundo, na final da etapa do Rio do Mundial da modalidade. Além de ficar com o título, Mineirinho assumiu a liderança do ranking Mundial do surfe. É a primeira vez na história que um brasileiro lidera o ranking.

Ainda emocionado com a conquista o surfista foi cauteloso ao comentar a liderança: "Estou feliz com tudo isso. Sei que ainda é muito cedo pra pensar em título mundial, tem muitos surfistas bons no circuito, estamos só no início da temporada ainda.
Mas, estou feliz porque desde 13 de outubro de 2009 que não consigo vencer uma etapa, aliás, essa tinha sido minha única vitória, então ganhar aqui e liderar o ranking é realmente demais".
Apenas dois brasileiros ainda estavam na etapa final da competição: Raoni Monteiro e Adriano Souza. Raoni enfrentou o australiano Bede Durbidge e não conseguiu passar para as quartas, ficando 0.76 atrás de Bede na pontuação final.
Já Mineirinho conseguiu desbancar Owen Wright nas quartas. Na semifinal, Adriano vingou Raoni e eliminou Durbidge da competição com seis décimos de diferença na pontuação final. A grande final foi contra o terceiro melhor surfista do mundo, Taj Burrow, que vinha muito bem durante toda a etapa e tinha eliminado grandes surfistas como Bobby Martinez e Cory Lopez.
O australiano começou melhor na bateria e logo na primeira onda conseguiu uma nota 7. Adriano só passou à frente na terceira onda, com uma nota 8. Assim, manteve uma série de notas boas e acabou ficando com o título na etapa brasileira do Mundial de surfe.
Com este resultado, Mineirinho fica em primeiro no ranking mundial de surfe até a próxima etapa, que será realizada de 14 a 24 de julho em Jeffrey's Bay, na África do Sul.