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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Presente para Iemanjá reúne 450 mil pessoas, no Rio Vermelho, em Salvador



                             

Em 88 anos de tradição, houve quem afirmasse que nunca presenciou um 2 de fevereiro como o de ontem. Toda a alegria e a religiosidade caracte-rísticas da festa que saúda e homenageia Iemanjá estavam presentes, mas os festejos foram marcados também por desorganização e um imprevisto crucial: a falta do presente principal.

 Até às 12h de ontem, a oferenda que seria enviada como presente principal, em substituição à escultura que foi danificada, não havia chegado à Casa de Iemanjá, o que causou a apreensão de fiéis e pescadores. Apesar do receio inicial, centenas de balaios de vime com oferendas de milhares de pessoas saíram em cortejo marítimo, pontualmente às 15h30, acompanhados do esperado presente para a rainha do mar.

 A agitação começou logo cedo com a chegada dos fiéis que aguardavam numa fila imensa a vez de depositar seus presentes no barracão. Flores, perfumes, joias e mais uma série de apetrechos que são jogados ao mar como forma de agradecimento à mãe biológica de Xangô e adotiva de Ogum não paravam de chegar aos balaios que logo no final da tarde seriam ofertados à dona da festa.

 Tudo como manda a tradição, não fosse o inesperado problema. A escultura de 2,5 metros em forma de concha, que vinha sendo preparada há seis meses por um artista plástico paulista e seria ofertada como presente principal, quebrou e teve de ser substituída por uma imagem de Iemanjá que levou quase um dia inteiro para chegar ao Rio Vermelho. Ontem, alguns veículos de imprensa chegaram a noticiar, inclusive, que o presente não seria encaminhado.

 O fato causou certo desconforto entre os pescadores antigos que não se conformavam com a demora. Em 88 anos de festa, segundo pescadores, esse caso nunca aconteceu. “Nesses anos todos, eu nunca presenciei um fato desse. Fiz esse presente por 18 anos e às 5 horas da manhã a oferenda dos pescadores já estava aqui no barracão,  para dar tempo arrumar e en-tregar à tarde”, recordou o ex-presidente da Colônia de Pescadores Eulírio Menezes.

 “Cheguei ao Rio Vermelho em 1949 e em 1958 comecei a participar da organização da festa que era realizada com pouco recurso. Saía de porta em porta arrecadando dinheiro para comprar o presente e nunca deixamos de fazer a oferenda a Iemanjá.

Hoje a festa cresceu, são 53 anos que acompanho todo o festejo e nunca vi tamanha desorganização”, reclamava Seu Manteiga, pescador antigo que cumpriu, na noite anterior ao dia 2, o ritual de todos os anos: foi ao terreiro, tomou banho de abô e levou o presente de Oxum ao Dique do Tororó, em seguida se deslocou para o Rio Vermelho.

 Também de prontidão e muito ansiosa pela chegada do presente estava Mãe Aici, do Terreiro Ode Mirin. Há 18 anos coordenando a parte religiosa da festa, a ialorixá, responsável pela arrumação do balaio que leva o presente dos pescadores, disse que recebeu a informação de que o presente não demorava chegar.

 Na opinião do filho da casa Pai Ducho, só restava mesmo aguardar a chegada do presente principal. “Estamos aqui desde cedo, trouxemos a nossa oferenda para Iemanjá, que é tudo para nós, e jamais ficaríamos em falta com ela”, completou.

Cortejo foi pontual

A desorganização também foi apontada por aqueles que esperavam na fila para colocar seus presentes no caramanchão, montado nas imediações da Colônia de Pescadores Z-01, grupo que organiza a festa. “Trabalho aqui há mais de 20 anos e nunca vi nada assim.

 A fila sempre foi grande, mas nunca tão desorganizada. E isso prejudicou as vendas, foi tumulto o dia todo. Se não fosse a Polícia Militar pra organizar aqui, nem sei como seria”, afirmou o vendedor de artigos religiosos Geraldo dos Santos, que montou seu tabuleiro debaixo do barracão, ao lado de onde eram preparados os balaios.

 Mas, mesmo com imprevisto e confusão, pontualmente às 15h30, um cordão de isolamento formado por 78 homens da PM, segundo comando operacional que estava no local, conduziu a maioria dos balaios do caramanchão até as escadarias que levam à praia, localizadas em frente ao Largo de Santana.

 Para a alegria daqueles que estavam ali para reverenciar a rainha do mar, o balaio com a imagem de Iemanjá foi colocada no saveiro principal que conduziu a procissão, juntamente com os demais presentes, que também foram divididos entre as 300 embarcações que fizeram o trajeto da Praia da Paciência até alto mar.

 O cortejo foi acompanhado por equipes do Salvamar e fiscalizado pela Capitania dos Portos, que, por medida de segurança, determinou que este ano a procissão marítima não saísse às 16h, como acontece tradicio-nalmente, e antecipasse em 30 minutos a sua saída.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Nasce a Devoção

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim (Vista exterior)

Em 1745 a irmandade dos devotos leigos passou a se chamar de "Devoção do Senhor do Bomfim" O culto ao Senhor do Bom Jesus do Bonfim nasceu com a vinda do Capitão de Mar e Guerra, o português Theodózio odrigues de Faria, para a Bahia em 1740, quando pontificava na Igreja o Papa Bento XIV, sob o reinado em Portugal de D. João V, e governava a Colônia na Bahia o 5º vice rei.

André Melo e Castro, conde dos Galveias. Foi nesse período que o Benemérito Capitão de Mar e Guerra, pela grande devoção que tinha ao Senhor do Bonfim, através da imagem que se venera em Setúbal, Portugal, trouxe de Lisboa uma semelhante àquela, esculpida em pinho de riga, medindo 1,06 cm de altura.

Pela Páscoa da Ressurreição do Senhor, em 18 de abril de 1745, com grande festividade e à sua custa, o Capitão devoto colocou a imagem para veneração dos fiéis na Capela de Nossa Senhora da Penha de França de Itapagipe.

Naquela mesma solenidade, com a presença do arcebispo da Bahia,D. José Botelho de Matos, foi requerida licença e fundada uma irmandade de devotos leigos que, após eleição, passou a denominar-se "Devoção do Senhor do Bonfim".

Os objetivos da Devoção que, entre outros, até hoje perduram, tinham como prioridade zelar e manter o culto ao Senhor do Bonfim, filho de Deus.
Segundo os dizeres do Dr. José Eduardo Freire de Carvalho Filho, tesoureiro da Devoção de 1884 a 1934, dedicado estudioso da história da instituição, "o culto a Jesus crucificado, Senhor do Bonfim, propagou-se e tomou vulto.

Grandes romarias, desde então, sucederam-se com freqüência e as notícias de graças e milagres alcançados, corriam por todo Brasil. O Senhor do Bonfim ia aos poucos concentrando a piedade o fervor do povo baiano que passou admirá-lo como seu grande protetor".

Espalhando o culto de fé e veneração e aumentando a afluência de fiéis, decidiu o Capitão, junto aos companheiros da Devoção, construir em definitivo uma Capela.

Em 1746, foram iniciadas as obras em "local de rara beleza que fica a cavaleiro da península de Itapagipe e dá caminho parao cabo de Mont. Serrat". A sua arquitetura seguiu o modelo das igrejas portuguesas do século XVIII e XIX.

No dia 24 de junho de 1754, após a conclusão das obras internas, foi transladada a sagrada imagem da Capela da Penha para a colina do Bonfim, em que governava a Bahia o 10º  conde de Atouguia e VI vice -rei, que prestigiou a solenidade junto com a população da cidade. Após a missa festiva, foi colocada a imagem no trono em um nicho, assim como a de N. Senhora da Guia, que o devoto Capitão houvera trazido de Portugal juntamente com o Senhor do Bonfim.