segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Foliões incendeiam as ruas do rio com os blocos de carnaval da Sebastiana

Divulgação
Foliões lotaram a Cinelândia neste sábado; a área em frente ao Theatro Municipal ficou colorida com a passagem do bloco. Foto: AP
Blocos Imprensa que Eu Gamo e Banda de Ipanema desfilam no Rio

Folia no Rio, começou no dia 19 de fevereiro, com o bloco Imprensa Que Eu Gamo, e só termina na terça de carnaval. A turma da Sebastiana – As-sociação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidadede São Sebastião do Rio de Janeiro – já está com seu calendário de desfiles para o carnaval 2011 confirmado.

A folia começou no sábado, 19 de fevereiro, com a saída do Imprensa Que Eu Gamo, em Laranjeiras, e segue no fim de semana seguinte até a terça-feira de carnaval.

Foliões acompanham os blocos na Rua do Mercado, no Centro

Dois blocos da Sebastiana estão com novas datas para os desfiles. O Ansiedade, bloco de frevo que agita foliões em Laranjeiras, mudou seu desfile para sábado, dia 26 de fevereiro.

O local do desfile do Ansiedade continua o mesmo, com concentração no Mercadinho São José, na Rua das Laranjeiras, a partir das 16h. Já o bloco Virtualy vai desfilar com nova data e local.

O bloco, que agora desfila na terça-feira, dia 3 de março, se concentra as 17h no Campo de beisebol do Corte do Cantagalo, na Lagoa, e segue pela ciclovia da Lagoa, lado de Ipanema, em direção ao Jardim de Alah, seguindo até o Clube Monte Líbano.

A expectativa dos organizadores é de que mais de 700 mil pessoas participem dos 14 desfiles dos 12 blocos que compõem a Associação (An-siedade, Barbas, Bloco de Segunda,Carmelitas, Escravos da Mauá, Gigantes da Lira, Imprensa Que Eu Gamo, Meu BemVolto Já, Que Merda é Essa, Simpatia É Quase Amor, Suvaco do Cristo e Virtual).

Os blocos Simpatia É Quase Amor (Ipanema) e Carmelitas (Santa Teresa) desfilam duas vezes. Chegou a hora dos foliões prepararem o estoque de confete e serpentina, capricharem na fantasia e caírem no samba.

Os blocos de rua darão início à temporada oficial da Festa do Momo. E haja fôlego para encarar a maratona: até o Carnaval, 424 blocos vão animar a cidade.

Os desfiles começam este fim de semana, com a passagem de blocos como Banda de Ipanema, Imprensa Que Eu Gamo, Ensaio Geral, Desliga da Justiça, Spanta Neném, Rio Carioca, Arrasta, Quizomba e Me Esquece, entre outros. "Vamos homenagear todos os bares da cidade.

E, no encerramento do desfile, faremos uma animada batucada na areia da praia", conta Gustavo Delorme, ritmista do Me Esquece, que sai domingo, na Praia do Leblon.

E não são apenas as tradicionais marchinhas que vão embalar a folia. Há blocos dos mais diversos estilos musicais, como frevo, sertanejo, funk, soul, pop e rock, caso do Bloco Cru.

Tem espaço até para as músicas do rei Roberto Carlos, homenageado no irreverente Exalta Rei. Os componentes, todos com roupas em azul e branco, tocam sucessos do cantor em ritmo de samba.

"Eu e meus amigos tínhamos um bloco chamado Se Melhorar Afunda. O bloco acabou, então pensamos em algo inusitado. Tinha várias Robertas e Robertos no grupo, aí resolvemos homenagear o Roberto Carlos.

Crescemos ouvindo suas canções, fora que o repertório é conhecido por todo o público", conta a produtora cultural Roberta Sauerbronn, do Exalta Rei.

E quem diria que os Beatles também dariam samba? Pois o bloco Sargento Pimenta, que estreia no Carnaval de rua e desfila dia 7 de março, resolveu transformar as músicas do quarteto de Liverpool numa batucada das boas.

E, para entoar o samba-enredo 'I Wanna Hold Your Hand' em ritmo de marchinha, os integrantes, todos beatlemaníacos de carteirinha, estarão vestidos tal como os ídolos John, Paul, George e Ringo.

Musas conhecidas 

Os blocos também farão a alegria do público trazendo musas famosas. O Alegria Sem Ressaca virá com a atriz Luiza Thomé. A dançarina Karen Motta, do 'Caldeirão do Huck', é rainha do Me Esquece. "Amo sair em meio àquela multidão.

É emocionante ver todo mundo pulando com a bateria como se não houvesse amanhã", comenta Karen. O Cordão da Bola Preta virá com um trio de beldades: a cantora Maria Rita, a madrinha; Quitéria Chagas, a musa; e a atriz Leandra Leal, porta-estandarte.

"Carnaval de rua é recente na minha vida. E é graças ao Bola Preta, que me trouxe como madrinha. É uma energia absurda, uma alegria! Fico imaginando aquelas pessoas que se mobilizam para chegar de manhã cedo ao desfile, para ficar curtindo o dia inteiro aquela farra", conta Maria Rita.

Já Preta Gil convocou as ex-BBBs Lia Khey e Ariadna para seu bloco, Da Preta. Elas virão, respectivamente, como rainha e musa. E Preta, "foliã desde que nasceu", é só alegria com a proximidade do desfile, dia 27 de fevereiro, em Ipanema.

"Estamos há mais de um mês fazendo nosso esquenta no Circo Voador. O bloco virá com um ecletismo no repertório: samba, MPB, axé, tudo! Nosso hino é 'Babado, Confusão e Gritaria', que fala de ser livre, beijar na boca, ser feliz e não se preocupar com nada", adianta a cantoria.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Mocidade lembra escolas afetadas por incêndio em ensaio na Sapucaí

Sambódromo foi palco de diversas expressões de amor e apoio às escolas de samba (Foto: Rodrigo Vianna / G1)
O 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mangueira: Raphael e Marcela (Foto: Rodrigo Vianna / G1)Mocidade levou alegoria com escudos da União da Ilha, Grande Rio e Portela (Foto: Rodrigo Vianna / G1)

A Estácio de Sá, do Grupo de Acesso, abriu a noite de ensaios técnicos. Apesar de vaias, Mangueira mostrou técnica e qualidade no samba.“Portela, Grande Rio e União da Ilha contem com a Mocidade. Tá todo mundo aí!”.

Foi assim que a Mocidade Independente de Padre Miguel começou o seu último ensaio técnico, na noite deste domingo (13), na Marquês de Sapucaí, no Rio. A verde-e-branca homenageou as três escolas que foram atingidas por um incêndio na Cidade do Samba, na segunda-feira (7).

Com direito a carro alegórico e chuva de papel picado, a comunidade de Padre Miguel mostrou que está forte na briga pelo título de campeã do carnaval carioca deste ano. Sob o comando do mestre Bereco, a bateria foi destaque da noite.

“Tivemos um dia triste para o carnaval. Portela, União da Ilha e Grande Rio, a Mocidade está com vocês. Tenho certeza de que vocês vão se recuperar. Eu quero pedir garra, força e dedicação à nossa escola. Esse ensaio de hoje é uma homenagem às nossas co-irmãs”, disse Paulo Vianna, presidente da Mocidade.

As homenagens não pararam por aí. A Mocidade levou para a Avenida um carro alegórico com os escudos das três escolas de samba homenageadas. Antes do samba-enredo – considerado um dos melhores da safra deste ano – os intérpretes Nêgo e Rhichahs cantaram o samba de esquenta e estremeceram as estruturas do Sambódromo.

Ficamos muito chocados com as imagens que vimos na televisão. Foi triste ver todo aquele trabalho perdido, todo aquele fogo, aquela fumaça, porque a gente sabe o trabalho que as comunidades tiveram durante um ano inteiro. Mas fico feliz em ver a minha Mocidade fazendo essa homenagem linda, justa”, declarou a dona de casa Regina Célia dos Santos, de 52 anos.

No sábado (12), foi a vez da São Clemente e da União da Ilha realizarem o seu último ensaio técnico na Sapucaí. A comissão de frente da São Clemente, formada por 15 bailarinos, se apresentou com bicicletas e até com uma prancha de surf. Já a União da Ilha levou faixas de agradecimento e emocionou o público que lotou as arquibancadas.

A Estácio de Sá, do Grupo de Acesso, abriu a noite de ensaios. Com defumadores, as baianas abriram o caminho para a escola, que entrou na Avenida com mais de 40 minutos de atraso. O intérprete Leandrinho mostrou a força do samba composto por Luiz Sapatinho, Paulinho Pintor, Regina, Fábio Bomba, Jair Guedes, Leandro Santos e César Nascimento.

A escola vai apostar nas rosas para voltar à elite do carnaval carioca. A bateria conseguiu levantar o público ainda tímido que chegava ao Sambódromo. À frente dos ritmistas, estava a rainha Shayene Cesário, que foi rainha do carnaval do Rio em 2010.

Torcidas organizadas

Mocidade e Mangueira são sinônimos de casa cheia. De ponta a ponta, o Sambódromo foi palco de diversas expressões de amor e apoio às escolas de samba. A Mocidade foi ovacionada por torcedores da “Independentes Mocidade”, que estenderam uma grande faixa no setor 3. O carnavalesco Cid Carvalho veio à frente das baianas de Padre Miguel.

A comissão de frente, sob comando de Jorge Texeira, era composta apenas por rapazes. Eles apresentaram parte da coreografia que será mostrada no desfile oficial. Jorge está no seu segundo ano consecutivo na Mocidade.

A passagem do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Cristiane Caldas e Fabrício Pirez, prendeu a atenção da plateia e arrancou aplausos calorosos de todos os setores.

Presidente da Mangueira é vaiado

A Mangueira fechou a noite de ensaios na Sapucaí com uma “saia-justa”: o presidente da verde-e-rosa, Ivo Meirelles, recebeu vaias do público ao falar da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do governo federal, e da construção de uma nova quadra para a escola.

Apesar disso, a agremiação mostrou técnica, qualidade no samba e boa bateria. O show também veio do casal de mestre-sala e porta-bandeira Raphael e Marcella, que soube unir velocidade, dança e dedicação ao pavilhão. Comandada pelo mestre Jaguara Filho, a bateria provou que está preparada para conquistar todas as notas máximas.


Sexta colocada no carnaval de 2010, a Mangueira promete emocionar o público com uma homenagem ao sambista Nelson Cavaquinho. O público que lotou as arquibancadas gostou do que viu: “A Mangueira é uma nação”, disse a médica Vera Lúcia Maia.

Em poucos minutos, a passarela foi colorida de verde e rosa pelos mais de 3 mil componentes que deram conta do recado até o fim da apresentação. Mangueirense assumida, a cantora Rosemary não escondeu a emoção de participar do último ensaio da escola na Sapucaí.  "Eu estou muito feliz. Meu coração é verde e rosa e a Mangueira é a minha segunda casa", disse.

Na Sapucaí foliões ganharão cartilhas que ajuda a entender os desfiles



Pelo segundo ano seguido, o público que vai acompanhar os desfiles das escolas de samba dos grupos de Acesso e Especial, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, vai ganhar um roteiro com detalhes e curiosidades de cada agremiação. Como um verdadeiro jurado, o folião poderá entender e até avaliar melhor a apresentação das escolas.


dealizado pelo historiador e pesquisador de enredos Marcos Roza, o Roteiro dos Desfiles, um guia bilíngue – português e inglês -, traz um resumo das informações que os julgadores oficiais recebem, permitindo que o público acompanhe os desfiles por dentro de todos os detalhes, como o significado de cada segmento, ala, fantasia e alegoria.

“Era comum que os amigos e conhecidos me perguntassem o que repre-sentava essa ou aquela alegoria ou fantasia das escolas em que tinha desenvolvido a pesquisa para elaboração do enredo. Agora, com os roteiros, as informações estão disponíveis para todos”, afirma o autor do projeto, Marcos Roza.

A ideia agradou o público que acompanhou os ensaios técnicos das escolas de samba no último fim de semana, no Sambódromo. Para Jandira Silva do Sacramento, baiana da Imperatriz Leopoldinense, o roteiro vai ajudar a compreender as notas dos jurados: “A gente gosta de ver os desfiles. Eu me sinto como uma julgadores. Eu já calculo e avalio como está a minha escola e esse guia vai ajudar a fazer uma avaliação melhor, saber se ela foi bem nos 80 minutos”, disse.

O livreto, em formato de bolso, é uma iniciativa da prefeitura do Rio de Janeiro, com apoio da Globo Rio. De acordo com a Riotur, o roteiro terá quatro exemplares diferentes - um para o desfile do Grupo de Acesso, dois para o Grupo Especial e um para o desfile das campeãs. Ao todo serão 200 mil exemplares.

Os roteiros serão distribuídos gratuitamente nos camarotes, arquibancadas, frisas, áreas de atendimento aos turistas, sala de imprensa da Sapucaí e nos postos de informações turísticas da Riotur. Segundo o secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, o guia vai aproximar o público das escolas.

“O Roteiro dos Desfiles se revelou uma publicação importante para aproximar o público dos desfiles das escolas de samba. É um companheiro imprescindível para os foliões que quiserem curtir e entender totalmente esse grande espetáculo”, disse o secretário.

Roteiro também na versão virtual

Além da versão impressa, o guia poderá ser consultado via telefone celular, com sinal bluetooth e rede wi-fi dentro do Sambódromo e no entorno. Segundo a Riotur, antenas serão espalhadas pela Sapucaí para garantir a conexão. Ao acessar a rede pelo seu aparelho, o folião vai encontrar o link “Roteiro dos Desfiles” e vai poder baixar o aplicativo que dará acesso ao conteúdo de cada escola. 

O roteiro também estará no site oficial do 
projeto, que conta ainda com o apoio da Liesa e da Liga das Escolas de Samba do Grupo de Acesso (Lesga) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A novidade deste ano fica por conta de um concurso cultural, que vai selecionar as quatro melhores histórias carnavalescas contadas pelo público e premiar os ganhadores com duas fantasias, além de publicar as histórias campeãs nos roteiros.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Presente para Iemanjá reúne 450 mil pessoas, no Rio Vermelho, em Salvador



                             

Em 88 anos de tradição, houve quem afirmasse que nunca presenciou um 2 de fevereiro como o de ontem. Toda a alegria e a religiosidade caracte-rísticas da festa que saúda e homenageia Iemanjá estavam presentes, mas os festejos foram marcados também por desorganização e um imprevisto crucial: a falta do presente principal.

 Até às 12h de ontem, a oferenda que seria enviada como presente principal, em substituição à escultura que foi danificada, não havia chegado à Casa de Iemanjá, o que causou a apreensão de fiéis e pescadores. Apesar do receio inicial, centenas de balaios de vime com oferendas de milhares de pessoas saíram em cortejo marítimo, pontualmente às 15h30, acompanhados do esperado presente para a rainha do mar.

 A agitação começou logo cedo com a chegada dos fiéis que aguardavam numa fila imensa a vez de depositar seus presentes no barracão. Flores, perfumes, joias e mais uma série de apetrechos que são jogados ao mar como forma de agradecimento à mãe biológica de Xangô e adotiva de Ogum não paravam de chegar aos balaios que logo no final da tarde seriam ofertados à dona da festa.

 Tudo como manda a tradição, não fosse o inesperado problema. A escultura de 2,5 metros em forma de concha, que vinha sendo preparada há seis meses por um artista plástico paulista e seria ofertada como presente principal, quebrou e teve de ser substituída por uma imagem de Iemanjá que levou quase um dia inteiro para chegar ao Rio Vermelho. Ontem, alguns veículos de imprensa chegaram a noticiar, inclusive, que o presente não seria encaminhado.

 O fato causou certo desconforto entre os pescadores antigos que não se conformavam com a demora. Em 88 anos de festa, segundo pescadores, esse caso nunca aconteceu. “Nesses anos todos, eu nunca presenciei um fato desse. Fiz esse presente por 18 anos e às 5 horas da manhã a oferenda dos pescadores já estava aqui no barracão,  para dar tempo arrumar e en-tregar à tarde”, recordou o ex-presidente da Colônia de Pescadores Eulírio Menezes.

 “Cheguei ao Rio Vermelho em 1949 e em 1958 comecei a participar da organização da festa que era realizada com pouco recurso. Saía de porta em porta arrecadando dinheiro para comprar o presente e nunca deixamos de fazer a oferenda a Iemanjá.

Hoje a festa cresceu, são 53 anos que acompanho todo o festejo e nunca vi tamanha desorganização”, reclamava Seu Manteiga, pescador antigo que cumpriu, na noite anterior ao dia 2, o ritual de todos os anos: foi ao terreiro, tomou banho de abô e levou o presente de Oxum ao Dique do Tororó, em seguida se deslocou para o Rio Vermelho.

 Também de prontidão e muito ansiosa pela chegada do presente estava Mãe Aici, do Terreiro Ode Mirin. Há 18 anos coordenando a parte religiosa da festa, a ialorixá, responsável pela arrumação do balaio que leva o presente dos pescadores, disse que recebeu a informação de que o presente não demorava chegar.

 Na opinião do filho da casa Pai Ducho, só restava mesmo aguardar a chegada do presente principal. “Estamos aqui desde cedo, trouxemos a nossa oferenda para Iemanjá, que é tudo para nós, e jamais ficaríamos em falta com ela”, completou.

Cortejo foi pontual

A desorganização também foi apontada por aqueles que esperavam na fila para colocar seus presentes no caramanchão, montado nas imediações da Colônia de Pescadores Z-01, grupo que organiza a festa. “Trabalho aqui há mais de 20 anos e nunca vi nada assim.

 A fila sempre foi grande, mas nunca tão desorganizada. E isso prejudicou as vendas, foi tumulto o dia todo. Se não fosse a Polícia Militar pra organizar aqui, nem sei como seria”, afirmou o vendedor de artigos religiosos Geraldo dos Santos, que montou seu tabuleiro debaixo do barracão, ao lado de onde eram preparados os balaios.

 Mas, mesmo com imprevisto e confusão, pontualmente às 15h30, um cordão de isolamento formado por 78 homens da PM, segundo comando operacional que estava no local, conduziu a maioria dos balaios do caramanchão até as escadarias que levam à praia, localizadas em frente ao Largo de Santana.

 Para a alegria daqueles que estavam ali para reverenciar a rainha do mar, o balaio com a imagem de Iemanjá foi colocada no saveiro principal que conduziu a procissão, juntamente com os demais presentes, que também foram divididos entre as 300 embarcações que fizeram o trajeto da Praia da Paciência até alto mar.

 O cortejo foi acompanhado por equipes do Salvamar e fiscalizado pela Capitania dos Portos, que, por medida de segurança, determinou que este ano a procissão marítima não saísse às 16h, como acontece tradicio-nalmente, e antecipasse em 30 minutos a sua saída.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Festa de São Lazáro atrai Católicos e adeptos do Candomblé


Centenas de fiéis estiveram na Festa de São Lázaro, neste domingo (31), clamando pela paz. As comemorações ao Santo começaram no sábado, com as baianas lavando as escadarias, e seguem até hoje, com missas durante o dia.

Festa na Igreja de São Lázaro, onde simpatizantes do candonblé associam a Obaluaê. São Lázaro é o santo da cura, o banho de pipoca é como se fosse uma purificação e proteção para as doenças. O chão na frente da igreja fica coberto de pipocas. Aqui, uma devota ajoelha-se para agradecer ou pedir uma graça em cima do "tapete" branco.

Os tradicionais banhos de pipoca, na porta da Igreja, têm um significado. Segundo a Ialorixá do Terreiro Tupinambá, Vera Lúcia, “os banhos servem para ajudar as pessoas a alcançarem graças e fazer uma limpeza no corpo, e São Lázaro e o orixá Omolu são conhecidos por curar doenças, por isso a ligação do banho de pipoca com a festa”, explicou.

O Padre Rosivaldo Motta, celebrou a missa pedindo paz aos fiéis. ”Atendendo aos apelos dos fiéis, que tiveram amigos a parentes vitimados pela violência urbana, peço paz a todos”, ressaltou.  Uma outra devota agradeceu as bênçãos. “Estou aqui hoje agradecendo tudo que recebi em 2010, sou devota de São Lázaro e sempre tomo o banho de pipoca, para ajudar a conseguir o que peço”, declarou Margarida Alves, que há 15 anos está presente na festa.

Durante todo o dia foram celebradas missas e por volta das 16h houve a procissão, que saiu da Igreja de São Lázaro, na Federação, e seguiu até o Cemitério Campo Santo. Segundo a Secretaria da Paróquia Ressurreição do Senhor, da qual faz parte a Igreja de São Lázaro, a partir desse ano a comemoração ao santo será sempre no último domingo do mês de janeiro.

São Lázaro é uma localidade dentro da Federação situada entre o Jardim Apipema, o Calabar e o bairro de Ondina. Habitado por famílias de todas as classes sociais, o bairro respira cultura, seja através das festas, ao padroeiro São Lázaro, a São Roque e a Omolu, ou através do núcleo de filosofia e ciências humanas da Universidade Federal da Bahia que funciona num casarão do século XIX.

Nasce a Devoção

Igreja de Nosso Senhor do Bonfim (Vista exterior)

Em 1745 a irmandade dos devotos leigos passou a se chamar de "Devoção do Senhor do Bomfim" O culto ao Senhor do Bom Jesus do Bonfim nasceu com a vinda do Capitão de Mar e Guerra, o português Theodózio odrigues de Faria, para a Bahia em 1740, quando pontificava na Igreja o Papa Bento XIV, sob o reinado em Portugal de D. João V, e governava a Colônia na Bahia o 5º vice rei.

André Melo e Castro, conde dos Galveias. Foi nesse período que o Benemérito Capitão de Mar e Guerra, pela grande devoção que tinha ao Senhor do Bonfim, através da imagem que se venera em Setúbal, Portugal, trouxe de Lisboa uma semelhante àquela, esculpida em pinho de riga, medindo 1,06 cm de altura.

Pela Páscoa da Ressurreição do Senhor, em 18 de abril de 1745, com grande festividade e à sua custa, o Capitão devoto colocou a imagem para veneração dos fiéis na Capela de Nossa Senhora da Penha de França de Itapagipe.

Naquela mesma solenidade, com a presença do arcebispo da Bahia,D. José Botelho de Matos, foi requerida licença e fundada uma irmandade de devotos leigos que, após eleição, passou a denominar-se "Devoção do Senhor do Bonfim".

Os objetivos da Devoção que, entre outros, até hoje perduram, tinham como prioridade zelar e manter o culto ao Senhor do Bonfim, filho de Deus.
Segundo os dizeres do Dr. José Eduardo Freire de Carvalho Filho, tesoureiro da Devoção de 1884 a 1934, dedicado estudioso da história da instituição, "o culto a Jesus crucificado, Senhor do Bonfim, propagou-se e tomou vulto.

Grandes romarias, desde então, sucederam-se com freqüência e as notícias de graças e milagres alcançados, corriam por todo Brasil. O Senhor do Bonfim ia aos poucos concentrando a piedade o fervor do povo baiano que passou admirá-lo como seu grande protetor".

Espalhando o culto de fé e veneração e aumentando a afluência de fiéis, decidiu o Capitão, junto aos companheiros da Devoção, construir em definitivo uma Capela.

Em 1746, foram iniciadas as obras em "local de rara beleza que fica a cavaleiro da península de Itapagipe e dá caminho parao cabo de Mont. Serrat". A sua arquitetura seguiu o modelo das igrejas portuguesas do século XVIII e XIX.

No dia 24 de junho de 1754, após a conclusão das obras internas, foi transladada a sagrada imagem da Capela da Penha para a colina do Bonfim, em que governava a Bahia o 10º  conde de Atouguia e VI vice -rei, que prestigiou a solenidade junto com a população da cidade. Após a missa festiva, foi colocada a imagem no trono em um nicho, assim como a de N. Senhora da Guia, que o devoto Capitão houvera trazido de Portugal juntamente com o Senhor do Bonfim.

Femadum movimenta o Pelourinho



Mais conhecido bloco afro baiano, com um trabalho social e artístico reverenciado dentro e fora do Brasil, o Olodum realizou nos dias 30 e 31 de janeiro, sábado e domingo, mais uma edição do FEMADUM (Festival de Música e Artes do Olodum).  Desta vez, o evento teve um caráter especial: em meio a sua programação, houve a gravação do segundo DVD do Olodum, com participação especial do cantor jamaicano Andrew Tosh (filho de Peter Tosh, legenda internacional do reggae) e direção artística de Fernando Guerreiro.

O Femadum começou oficialmente com um coquetel no dia 29 de janeiro, sexta-feira, 20h, na Praça das Artes, no Pelourinho. No dia 30, sábado, 20h, no Largo do Pelourinho, houve a apresentação pública das músicas vencedoras para o carnaval deste ano, com show de Luis Melodia e Lazzo. Finalmente, no dia 31, domingo, também a partir das 20h, foi gravado o DVD do Olodum, comemorativo aos 30 anos do primeiro desfile do bloco afro no carnaval baiano.

Tambores, papiros e Twitter. É com esse tema, que expressa a evolução da escrita, que o Olodum vai tomar as ruas no Carnaval deste ano. Antes disso, toma conta do Largo do Pelourinho. Além da banda anfitriã, com sua marcação inconfundível, o festival teve shows com a banda de reggae Ponto de Equilíbrio,  e com os rappers Happin Hood e Afro Jhow, além do cantor inglês Geoffrey Chambers.

No sábado, a festa começou às 17 horas, apresentando as músicas vencedoras para o próximo carnaval. Entre elas, Olodum Veste Letras, de Jucka Maneiro, Sandoval e Roberto Cruz (vencedora na categoria tema), e Olodum, Meu Sincero Amor, de Zenilton Ferra e Jorge Garcia (na categoria samba poesia). Também fizeram shows neste dia Afro Jhow, a banda Dubstereo e o grupo de pagode Na Varanda.

No domingo, crianças e jovens da Escola Olodum fazem apresentação cultural, a partir das 16 horas, abrindo o caminho para o reggae da Ponto de Equilíbrio, uma homenagem ao rapper Happin Hood e show do Olodum com cantor britânico Geoffrey Chambers. Desde os anos 1980, o Femadum tem revelado compositores, como Pierre Onassis, Jau, Rey Zulu e Tatau e músicas vencedoras se tornaram hits do carnaval, como Faraó (1987) e Revolta Olodum (1990).